terça-feira, janeiro 06, 2009

337 dias

Estava a dormir, e acordei sobressaltada. Fiquei horas às voltas na cama, mas não conseguia adormecer a pensar em ti. Apeteceu-me escrever. Escrever algo que me me fizesse pôr um ponto final nisto a que eu nem sei bem o que chamar.
Escrevo textos há algum tempo. Não há muito, mas há o suficiente para saber que me libertam. Já vesti 1001 personagens agarrada à caneta, e outras 1001 em frente aos pixeis que já magoam os olhos.
Nunca escrevi sobre mim. Sobre ti já, mas muito poucas vezes.. Prefiro imaginar que os meus amores são perfeitos como as flores da Primavera que ainda não desabrocharam. Pois hoje não escrevo sobre ti, mas para ti. E podes ler, de mente aberta mas coração fechado. Como sempre o tiveste. Tu, o grande lover da cidade, tu que amas com todo o coração e mais algum.. Mas afinal quem é que tu amas? Nunca atingiste a felicidade máxima, a vida não te deixou. E é por isso que transformas a tua carência num amor meio forçado, que te mantém quente mas que nos torna a nós, quem tu amas, pessoas frias e um bocado heartless.. Enganas miudas, mulheres, amantes. As tuas amantes. A culpa nem é tua. A vida e que é ingrata. Será que é isso? Sim é. Tem que ser, só pode. Se não como havia eu de explicar tanta maldade a cada gesto que fazes? Os teus olhos ferem como lanças, e eu sou mais uma das tuas presas. E as tuas palavras.. Quando precisei delas não as tive, e agora já não me dizem nada. Afinal, quem és tu. As tuas personalidades misturaram-se e transformaste-te num nada que sinceramente preferia que não me parasse o coração sempre que te vejo.
Nunca te amei, e ainda bem. Foi contigo que tive que levantar os meus muros anti-amor, e fechar o meu coração à chave. A essa perdi-a nos estilhaços que restaram de mim num dia de Fevereiro. E agora, sentada sozinha, dentro dos meus muros com quilómetros de altura, grito a chamar por alguém. Normalmente, és tu que vens. Mas falta-te a força e o amor que não existe. O teu amor vem dos contos de fadas. É tudo muito bonito, mas é tudo mentira. Eles não vivem para sempre. O resto da história fazemos nós. Mas a nossa história tu já fizeste, e o fim não foi tão feliz como o da Cinderela. Desistis-te, foste embora. As palavras não destroem muros, e por isso continuo a gritar até rebentar as cordas vocais. Alguém há-de vir, mas tu não.
Um dia chamaste-me hipócrita, e eu nunca pensei que fosse tão verdade. Hipocrisia é fingir sentimentos que não se tem, e nisso sou a melhor. Não tenho um coração de gelo, e quando digo que tu já não me afectas é mentira. Confesso-te que sofro todos os dias, por pensar que nem por mim, o teu suposto grande amor, foste capaz de lutar. O amor faz milagres, e se ainda não o fez contigo é porque não me amas.
A borboleta morreu. Adeus, para sempre.


1 comentário:

  1. É duro, não é? Quando amamos uma pessoa, e ela simplesmente desiste de tudo. É cansativo e pior de tudo, dói bastante. Força nisso (: *

    ResponderEliminar

...