terça-feira, março 03, 2009

escrita livre

Gosto de ti, não o nego. És igual a mim em todos os aspectos. Até na cobardia. Talvez seja isso que me está a afastar do nosso mundo. Esse teu ser que me é familiar há 16 anos, incomoda-me. Não quero que me incomode, estava tudo demasiado perfeito. Já estranhava que estivesse tudo a correr tão bem. Normalmente não custumo ter sorte a estas coisas. Normalmente? Não me lembro de ter sorte a nada sinceramente. A não ser nos pais que tenho, e mesmo assim às vezes falham. Mas o que é que não falha? Perfeições não existem. Só no mundo inocente e frágil das crianças que são absorvidas dos problemas que as rodeiam. As que podem. As que passam fome ou que são agredidas pelos progenitores diariamente sabem o que é o mundo desde o momento em que nascem.
Tenho mil e uma pessoas à minha volta neste momento. As vozes ecoam na cabeça e nenhuma delas se destaca. Sozinha na multidão. Tem sido a minha vida. Não faço disso um drama, até gosto. Sem laços sentimentais sofro menos, não sofro nada.
A adolescência, a fase idiota onde a melancolia reina e as nossas lágrimas enchem oceanos. Porque é que andamos sempre deprimidos? Aliás, porque é que somos tão deprimentes? Não percebo porque é que toda a gente se queixa dos problemas. Custumamos sempre atirar as preocupações para as costas dos outros ou simplesmente nem nos preocuparmos.. Se repararmos so nos apercebemos das coisas quando o dinheiro nos falta. O dinheiro, sempre o dinheiro. Alguem se preocupa com os hectares de florestas que estão a desaparecer, literalmente? Ou a quantidade de gases poluentes que injectamos na atmosfera todos os dias. Ha pessoas que se preocupam sim, mas esses são uma gota no oceano. Estamos a virar uma humanidade hipócrita, egoísta e cruel. Cada um por si. Mundo de dementes.
Tão cedo e já fraquejo, gritos de um lado, chatices do outro. Vou criar uma bolha e enfiar-me lá dentro. Não saio mais. Vou ser feliz para sempre me, myself, and I.
Tretas. Não sou assim tao deprimente, juro. Digamos que foi um desabafo inconsciente.
Escrevo sempre textos com significado mas pouco sentido. E sempre em prosa. A poesia fica para os apaixonados.

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