sábado, outubro 20, 2012

fora da terra mãe

Devo mesmo estar com saudades de tudo, porque podia apostar os meus ordenados todos do proximo ano em como não voltava aqui, em como não voltava a escrever. Será que ainda me sai em forma de melodia, as coisas que escrevo? Será que ainda consigo transmitir o quão desinteressante a minha vida é à face da humanidade? Talvez não tanto, I really can't be bothered. O que eu precisava mesmo era de gritar de pulmões abertos, tão alto que a senhora alentejana que está neste momento a vestir a "bata" para ir regar as couves me oiça.
Sair da nossa área de conforto não é para todos. Pensava eu que pôr algo tão insignificante para trás não me fosse custar nada. A realidade é que, por mais merda que seja o sitio de onde vieste, vais sempre sentir falta das pequenas coisas que tornavam o teu dia-a-dia normal. Aqui não existe a segurança que a tua casa te dá; a força para sair porta fora e enfrentar mais um dia de peito cheio. Aqui, se quebras, voltar a juntar todos os bocadinhos vai ser dificil, diria até impossivel. 
7 meses se passaram e eu já vi aqui mais meninos a chorar pelas mães que em todos os meus anos de escola primária. Aqui, já vi homens feitos a fazer as malas e voltar para aquela que dizem ser a sua verdadeira home. But what is really home? I heard an old man once saying that home is where the heart is, isn't that right? Ora, se estamos aqui, o coração está connosco certo? Ou será que todos aqueles meninos se esqueceram de o empacotar nas malas? A verdade é que as companhias aereas têm uma politica de limite de peso de malas. Mas quanto é que na verdade pesa um coração? Tem o tamanho de um pulso, na realidade, mas... Um coração com 20 anos de vida, já carrega algum peso. E a julgar por todos os textos lamechas que postei neste blog, eu aposto numas quantas toneladas. Portanto não, ninguém trouxe o musculo mais importante do nosso corpo para aqui, para este hopeless place
Espero que, um dia, daqui a 10 anos, eu tenha histórias para contar aos meus netos. Histórias fantasticas, passadas por toda a Europa e não no cacilheiro que vai do Barreiro a Lisboa. Ou então, talvez sim...

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